Adelino Amaro da Costa

Adelino Amaro da Costa   Adelino Amaro da Costa na Assembleia da República
 
Adelino Amaro da Costa na Assembleia da República.

Só quem nunca falou com militantes pode ignorar a sua força, nas mãos de quem cumprimentamos, nas histórias com que deliramos, nas fotografias que roubamos. Só quem nunca ousou olhar a doutrina de frente pode estranhar a luz que se esconde no olhar dos mais velhos, nos cantos das salas do Caldas, no discurso de quem o conheceu.

Pela memória ou pela história, pelo brilho ou pelo louvor, pelo discurso ou pela recordação, ele continua entre nós, sempre, em cada dia, em cada Congresso, em cada corredor, em cada concelhia. Não se lhe foge, não se o evita, ele apenas está. E queremos que esteja. E é esse querer, este estado de permanente viuvez que melhor caracteriza o partido em que me filiei.

É por isso com alguma facilidade que qualquer militante da JP, que o tem como patrono, pode dele falar como se o tivesse alguma vez visto. Porque a verdade é que todos o conhecemos. Todos lhe conhecemos as histórias, os mitos, o cachecol, os lemas. Todos queremos saber mais e não há um único dirigente da JP que não tenha, por um segundo, parado para pensar o que estará ele a achar de nós. De cada vez que ousamos, de cada vez que arriscamos, de que cada vez que partimos, o que pensará ele de nós?

Este estado de permanente viuvez, como acima lhe chamei, mostra bem a relação que temos com ele. Levado por uma morte estúpida, trágica e assassina, nunca mais soubemos senão tentar honrá-lo. Dir-me-ão que nem todos o conseguiram e nisso acredito. Mas já não acredito que todos o não tenham tentado. Dir-me-ão que nem todos com ele concordavam e nisso acredito. Mas já não acredito que todos o não tenham ouvido e respeitado.

E como não o fazer se, precisamente, foi ele quem primeiro, mesmo antes da fundação, mesmo antes do sopro inicial, falou da democracia pluralista com base no humanismo centrista, no centro como única orientação que leva às suas últimas consequências os equilíbrios requeridos pela busca da justiça e da liberdade? Se foi ele quem nos falou de um futuro não socialista, crente no indivíduo, da dignidade da pessoa humana?

Num momento em que recordamos a sua morte, detenhamo-nos um pouco na força da sua memória. É nela, conscientes dela, e por ela, que saberemos sempre onde está o rumo do futuro.

Texto da autoria de Adolfo Mesquita Nunes
Fonte: Distrital do Porto da Juventude Popular